A Polícia Militar de Minas Gerais, hoje dia 12 de outubro de 2009, cercou, com armas na mão, uma procissão em honra a Nossa Senhora Aparecida e submeteu os fiéis a uma “blitz”, na periferia da cidade de Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Um grupo da comunidade católica do Assentamento de Reforma Agrária Dom Mauro, enquanto estava cumprindo promessa, de doação de uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, à Igreja, do bairro Morada Nova, não muito distante do assentamento, em uma procissão, foi surpreendido pelo cerco de políciais armados, com viaturas e helicóptero. Os fiéis estavam a cavalo, outros a pé e alguns em automóveis e a imagem era conduzida em uma carroça enfeitada com um toldo azul e flores cor de rosa. A alegação da polícia era de que estavam realizando uma “blitz” e que os veículos irregulares seriam apreendidos, o que de fato fizeram.
Toda prática religiosa deve ser respeitada, não importando a condição social de quem a vivência. Até mesmo nos presídios a prática religiosa, e a profissão de fé é permitida e incentivada. As fé das camadas populares traz consigo a força do cristianismo, com sua solidariedade, disponibilidade e fraternidade. Sofrer intimidação, de policiais com armas em punho, na sua prática religiosa, pelo fato de serem sem terra ou coisa que o valha, nos remete à uma figura de discriminação, realidade abominável, como o caso dos Dalits, na Índia. A estigmatização de um grupo social, a busca de sua criminalização, motividadas pelo lugar que ocupam na estrataficação social ou mesmo pelas idéias ou causas que defendam, no sentido da busca da justiça, não é legitimo e fere os principios da democracia.
A discriminação, praticada pela Polícia Militar de Minas Gerais, favorece aqueles que não suportam ver expostas às raízes profundas das dívidas sociais, que ainda persistem no Brasil, que se incomodam com os movimentos dos sem-terra, que inquietam suas mentes que querem ver perpetuadas a visão de seres humanos de primeira e de segunda categoria. A nossa fé cristã repousa em Deus, que veio em uma família pobre, que ocupou um curral alheio, para que a mulher desse à luz a Jesus Cristo. Essa mulher, que hoje devotamente, os católicos celebram, como Aparecida negra, nas redes de pescadores, no rio Paraíba do Sul. A fé anima a resistência histórica e abre caminhos para festa de uma sociedade nova.
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